Contrariamente à frequência natural universal, vivemos, pelo calendário gregoriano, a frequência 12:60, ou seja, 12 dos 12 meses e 60 dos 60 minutos de cada hora do dia. Esta frequência é, pela mão do homem, falsa e antinatural, centrando-se em objectivos meramente materiais. A dominação sistémica do Homem, pela criaçao falseada de vários medos e pelo seu apartamento da natureza, tem gerado um crescente desequilíbrio no seu cerne, resultando numa sub-utilização da sua plena capacidade cognitiva e espiritual. Como consequência de um sistema tecnocrata e policial globalizado, regido, sobremaneira, por uma elite economicista que apenas tem como objectivo o lucro, assiste-se a uma crescente privatizaçao dos recursos mundiais, à formação e disseminação de guerras e doenças, a uma criaçao de falsas necessidades, a uma maximizaçao das questões da segurança – em relação directa com a criação dos medos -, transformando as relaços humanas em relações comerciais e oportunistas, debilitando, por fim, a ligaçao primária e ancestral do Homem à Natureza.
O ser humano cai, então, na alienação, no sofrimento, na escravização psicológica, na subserviência mental e emocional, perdendo o seu conteúdo criativo e libertador, em prole de uma rotina mecanizada pelo calendário gregoriano, da sobrevivência em detrimento da verdadeira vida.
O tema 13:20 serve de consciencialização do calendário maya, um calendário perfeito e exacto, dado que leva em consideração aspectos racionais, espirituais, matemáticos e astronómicos, sugerindo a alteração do 12:60 por 13:20, para que ocorra a harmonização entre as vertentes material e espiritual no ser humano e a sua sincronização com o Universo.
2 – 5 Fluxos - É um tema que tem uma amplitude de texturas sonoras muito complexa, aliada a poliritmias e compassos que despertam emoções fortes. Inspira a uma viagem pela selva onde o propósito é escutar os sons da natureza e estar atento ao perigo eminente.
3 – Mata a Fome - Faz parte da história antiga da banda, quando julgava que concursos de música em Portugal tinham alguma representatividade no panorama musical e artístico nacional. Serviu-lhes de inspiração para cover, a entrar no reportório a concurso, um tema de Reporter Estrábico (banda-vizinha na sala de ensaios) que alerta de forma irónica para o consumismo exarcerbado. E assim como outro sinal de alerta humorista, mas de expressao aerofónica, OliveTreeDance subscreve os valores para uma nova relação com o consumo.
4 – Viva o Malhão! - Aproxima-se de uma representação bem mais criativa de um grito de guerra sobre a cultura musical portuguesa e o que dela ainda não estamos a explorar. Por isso, o tema pretende demonstrar como a herança musical portuguesa poderá influenciar, não só as novas gerações de músicos portugueses, como tantas outras pelo mundo inteiro.
Este é um tema que remarca bem o cariz contemporâneo da banda sobre as influências tradicionais. Também demonstra como os músicos estão abertos à exploração da diversidade dos intrumentos tradicionais portugueses, reciclando e fazendo das velhas novas sonoridades.
5 – Bezouro – É o tema extraído para as rádios e que nos remonta ao título do EP de OliveTreeDance. Sem dúvida, este tema é o que mais nos sugere a intençao do artista em retirar-nos do pseudo-conforto da “Babilónia”, onde diariamente visitamos a cena electrónica underground do drum n’ bass, à qual o grupo lhe chama de “urbano”, para uma dimensão totalmente orgânica, que nos transporta às raízes rítmicas da dança, com uma versão do estilo em formato totalmente acústico, sem efeitos nem overdubs, à qual o grupo intitula de “Roots”.