Nesta altura já a minha cabeça fervilhava com ideias e comecei a olhar para este EP como uma boa maneira de introduzir alguns dos novos elementos no som que eu tenciono apresentar em 2010.
Ao mesmo tempo, havia um par de ideias que já tinham sido desenvolvidas mas que estavam encostadas desde o “Rude Bwoy Stand”. Falei com o Kronic e arranquei para Lisboa. O tempo não jogou muito a meu favor e só pude ficar por três dias, mas correu muito bem, em três dias conseguimos construir três boas bases no estúdio dele!
O Rude Sentido foi o primeiro, eu já andava com ele na cabeça e já tinha a letra escrita. A única coisa que não tinha pensado era na participação, mas depois de termos gravado sentimos que era preciso pôr ali alguém a dar “corpo” ao tema e o nome Tó Trips veio logo ao ar. Mostramos-lhe o tema e ele aceitou! Devo dizer que fiquei muito contente. Sempre respeitei o seu trabalho e agora ia ter a sua guitarra num som meu.
No caso do RAP fizemos a cena a “moda antiga”. Sacamos um sample para o MPC do Kronic, martelei um beat em cima do metrónomo, o Kronic cortou o sample e tínhamos a base preparada. Como o sample era pré revolução, mais precisamente do ano em que eu nasci, lembrei-me de escrever sobre os anos que passei no bairro em que cresci no Porto. O Kronic encarregou-se de dar os toques finais e passámos à frente.
Surgiu o Dub, basicamente o Kronic ligou uma guitarra e eu liguei o teclado, pusemos uns pratos a marcar o tempo e gravamos directo para o computador.
No dia a seguir foi altura de desafiar o João Gomes que já estava de sobreaviso passou por lá e levou o Dub com ele.
Regressei ao Porto, a musica que me paga as contas toca-se de outra maneira e o trabalho chamava por mim. Passei uns dias fora de casa a trabalhar e quando voltei, fui ter com o Lino a Leça e começamos a ver o Rude Time juntamente com o Rude Love. No primeiro caso as vozes já tinham sido gravadas e só faltava mesmo era decidir o fecho do tema, regravar alguns sons como por exemplo o teclado principal e o break da entrada. No love, já tínhamos feito um instrumental mais curto e mais pumped para usar nos live acts na altura em que saiu o Forever Love, mas na verdade, eu nunca cheguei a gravar sobre esse instrumental. O Lino ficou a dar-lhe um refresh e meteu-lhe um baixo novo, enquanto isso, o Kronic subia ao Porto com o trabalho feito em Lisboa. As waves do Gomes não podiam ser mais Cool e assentaram como uma luva no Dub. Mais uma vez, estava tudo a correr bem, mas o prazo apertava cada vez mais. Ainda tínhamos umas tardes de estúdio pela frente, precisávamos de equilibrar os sons todos, e ainda tinha de fazer a “intro” e o “outro”.
Resumindo, no penúltimo dia da última semana do mês de Maio do corrente ano, 24 horas antes de findar o prazo para entregar o Master ao Henrique, estava eu a fazer os bounces com Lino e a olhar para o relógio.
Tinha um comboio para apanhar!
Felizmente apanhei o último, com a companhia do meu side-kick Laranja que aproveitou para ir gravar umas coisas a Lisboa. Chegámos por volta das 23 horas e ainda fomos a tempo de comer qualquer coisa perto do Bairro Alto, reunir com os brothers e toca a brindar que o trabalho está feito!
No seguinte foi com satisfação que liguei ao Henrique a combinar o sítio e a hora para ser feita a entrega.
No fim, tudo correu como planeado e agora só me resta esperar que as pessoas o escutem…
…no fim de contas, é para elas que o faço.
Támos Juntos!!!
Bezegol